Saúde Hormonal

Acordar às 3 da manhã: aprenda a conhecer o que o seu corpo lhe está a dizer

Aquele despertar a meio da noite, sempre à mesma hora, raramente é coincidência.

Mulher acordada às 3 da manhã a olhar para o teto

Adormece sem grande dificuldade. Mas, por volta das três da manhã, os olhos abrem-se. E ali fica, desperta, às vezes ansiosa, a olhar para o teto, sem perceber porquê. Quando finalmente volta a adormecer, está quase na hora de levantar.

Se se reconhece nisto, não está sozinha! É uma das queixas que mais oiço na consulta. E quero dizer-lhe uma coisa logo à partida: este despertar não é "da sua cabeça", nem é simples falta de sono. Muitas vezes, é o seu corpo a comunicar qualquer coisa e vale a pena aprender a escutá-lo!

Porque acordamos sempre à mesma hora

O sono não é um bloco uniforme. Ao longo da noite, atravessamos ciclos, e a segunda metade da noite, sensivelmente a partir das três da manhã, é mais leve e mais vulnerável a despertares.

É também nessa altura que o corpo começa, naturalmente, a preparar-se para acordar: o cortisol, a nossa hormona de alerta, inicia a sua subida matinal. Em equilíbrio, isto é normal e nem damos por isso. O problema surge quando há fatores que amplificam este processo e aí o despertar torna-se consciente, e difícil de reverter.

As causas mais frequentes (e o que têm em comum)

Há três protagonistas neste despertar noturno, e muitas vezes atuam em conjunto.

O primeiro é o cortisol e o stress. Se vive em stress crónico, o seu eixo de resposta ao stress pode ficar desregulado, levando a picos de cortisol em horas indevidas, incluindo a meio da noite. Dessa forma, acorda em estado de alerta, com a mente acelerada, sem razão aparente.

O segundo é a glicemia. Se o açúcar no sangue desce demasiado durante a madrugada, o corpo liberta hormonas (como a adrenalina e o cortisol) para o corrigir e essa descarga acorda-a. É frequente em quem janta muito cedo, com refeições muito ricas em hidratos e pobres em proteína.

O terceiro, nas mulheres a partir dos 40, são as hormonas. A progesterona tem um efeito calmante e favorece o sono; quando começa a descer, na perimenopausa, o sono fica mais leve e fragmentado. As oscilações do estrogénio podem também provocar suores noturnos que interrompem a noite.

Repare que estas três causas não têm qualquer associação com a "insónia" no sentido mais simples do termo. Todas são sinais de algo a precisar de equilíbrio, no stress, no metabolismo ou nas hormonas.

O que pode começar a fazer

Antes de pensar em soluções complexas, há ajustes de base que fazem diferença:

  • Cuidar da forma e do horário do jantar
  • Criar uma rotina de desaceleração antes de deitar
  • Reduzir os ecrãs e a luz intensa à noite
  • Dar especial atenção à gestão do stress ao longo do dia — o sono da madrugada começa a construir-se de manhã

Mas, e isto é importante, se o despertar é persistente e está a afetar a sua qualidade de vida, não o normalize. Acordar todas as noites às três da manhã não é algo que se deva "aguentar". É um sinal que merece ser investigado, para perceber qual das peças (stress, glicemia, hormonas) está a precisar de atenção.

Acorda a meio da noite e não percebe porquê? Na consulta, procuramos a causa, olhando para o sono, mas também para o cortisol, a glicemia e as hormonas, que tantas vezes estão por trás. Não precisa de um diagnóstico prévio para marcar. Basta querer voltar a dormir descansada.

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Aviso: este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual.